Breve Histórico do Curso 

O Curso de Bacharelado em Ciência da Computação foi criado no âmbito da Universidade Federal do Pará em 1990, para início de atividades a partir de 1991 (com seu primeiro vestibular), com o objetivo de preparar profissionais com perfil adequado para realizar pesquisas, e envolver-se com os aspectos industriais da crescente indústria de Informática no País. Além disso, havia também uma preocupação com a ampliação e desenvolvimento da área de recursos humanos para atuação na área acadêmica. Registre-se que o curso na sua proposta original permitia a formação em uma das ênfases: Sistemas de Informação e Software Básico.

Isto justificou a criação do Curso de Bacharelado em Ciência da Computação (CBCC), passando a UFPA a oferecer um nível de formação mais sólido que o Curso de Tecnólogo em Processamento de Dados, com profissionais de base teórica mais forte, patrocinando conseqüentemente o crescimento dos níveis técnico e científico, de forma a estabelecer uma base para o surgimento e crescimento seguro de condições para a execução de pesquisas e trabalhos de maior envergadura na área de desenvolvimento de software. Os profissionais formados com este perfil têm podido contribuir com o desenvolvimento da Região Amazônica, no contexto da indústria de produtos e serviços de Informática.

Tendo em vista a demanda permanente por profissionais da área de Informática, o que pode ser comprovado pela série abaixo relacionada, resultante das inscrições aos concursos vestibulares dos últimos dez anos de funcionamento para o Curso de Tecnólogo em Processamento de Dados, observou-se que era fundamental que a UFPA expandisse seus objetivos, propiciando condições para o atendimento adequado desta demanda.

Note-se que o Curso de Tecnólogo em Processamento de Dados é de graduação de curta duração (mínimo de seis semestres, máximo de doze semestres), e não vinha atendendo plenamente as necessidades do mercado de trabalho, além do que dificultava ao profissional seguir com estudos mais avançados. Observe-se também que há pelo menos cinco anos este curso encontra-se em processo de extinção nas principais universidades do País, permanecendo apenas nas instituições particulares.

Curso de Tecnólogo em Processamento de Dados

Ano Vagas ofertadas Demanda Oferta/demanda
1980 30 213 7,10
1981 30 320 10,67
1982 30 327 10, 90
1983 30 391 13,03
1984 30 531 17,70
1985 30 548 18,27
1986 30 650 21,66
1987 40 489 12,22 (*)
1988 40 436 10,90
1989 40 359 8,98
1990 40 433 10,83

(*) Início de funcionamento de cursos de informática em outras instituições locais de nível superior.

Os alunos do Curso de Tecnólogo em Processamento de Dados com entrada até 1990, puderam mudar para o Curso de Bacharelado em Ciência da Computação (os que assim desejaram).

Com o início do funcionamento do Curso de Bacharelado em Ciência da Computação (CBCC) a partir do vestibular de 1991, tem-se observado a seguinte demanda:

Ano Vagas ofertadas Demanda Oferta/demanda
1991 40 580 14,50
1992 40 457 11.43
1993 40 562 14.05
1994 40 648 16.20
1995 30 442 14.73
1996 30 524 14.47
1997 30 431 14.37
1998 30 419 13.97
1999 50 578 11.56
2000 50 783 15.66
2001 60 655 10,92
2002 60 702 11.70
2003 35 577 16.49
2004 35 665 19.00
2005 35 527 15.06
2006 35 614 17.54
2007 35 530 15.14
 


Ano Vagas ofertadas Demanda(Cotista) Demanda(Não cotista) Oferta/demanda(Cotista) Oferta/demanda(Não cotista
2008 36

277

265

15.39

14.72

 2009  36

320

301

17.78

16.72 

2010 36

377

329

20.94

18.28

2011 36

328

342

18.22

19.00

2012  36 

379

296

21.06

16.44

2013  36 

365

292

20.28

16.22 

2014  36 

773

366

42.94

20.33

2015 36

771

365

42.83

20.27

 2016  36

676

282

 37.55

15.66

 

Complementando os dados da série histórica apresentada acima: o CBCC tem sido ao longo dos anos, desde sua criação, o curso com maior demanda na Área de Exatas e Tecnológica.

Em dezembro de 1993, a Coordenação do Colegiado do Curso submeteu ao MEC projeto com vista ao reconhecimento do curso. Assim é que de 7 a 9 de dezembro de 1994, a UFPA recebeu a Comissão de Verificação encarregada da elaboração do relatório de verificação para reconhecimento do Curso de Bacharelado em Ciências da Computação, com ênfases em Sistemas de Informação e Software Básico. A comissão era composta pelos professores Fernando da Fonseca de Souza (Presidente) e Ana Carolina Salgado, ambos da Universidade Federal de Pernambuco, e pelo técnico em assuntos educacionais Walter José de Andrade Pinheiro, da Delegacia do MEC no Pará. Nas considerações finais do relatório, a Comissão apontava:

"Diante do que foi constatado, concluímos que o curso objeto desse processo tem boas condições de funcionamento e portanto somos de parecer favorável ao seu reconhecimento. Gostaríamos no entanto de apontar, a título de contribuição, um ponto crítico a ser observado pela Administração Central da UFPA: trata-se da urgente necessidade de abertura de concurso para a contratação de professores efetivos para o quadro do Departamento de Informática, sem a qual o curso estará prejudicado no seu ulterior desenvolvimento." 


Com o funcionamento do Curso a partir de 1991, com a entrada da primeira turma através do Vestibular, já se tinha percebido a necessidade de alguns ajustes no currículo do Curso. Por isso, a partir de abril de 1994, o Colegiado do Curso designou uma comissão com o trabalho de propor reformulações no currículo. Esta comissão era composta pelos professores Alfredo Braga Furtado, Elói Luiz Favero e Benedito de Jesus P. Ferreira, mais os discentes Rodrigo Quites Reis, Carla Alessandra Gomes de Lima (representando alunos em fim de curso), Carlos Eduardo R. Bastos e Richard Dias da Costa (representando o Centro Acadêmico de Computação - CAECOMP). No final dos trabalhos da Comissão, colaboraram também os professores Inácio Koury Gabriel Neto, Arnaldo Prado Júnior e Adagenor Lobato Ribeiro. 

As reformulações que se esperava que a Comissão promovesse passariam primordialmente pela redução no número de disciplinas, de modo a apresentar uma distribuição semestral de 5 a 6 disciplinas. Havia a pressuposição de incluir disciplinas novas, como também excluir e fundir disciplinas, e atualizar conteúdos. Alguns problemas de pré-requisitos também seriam resolvidos: disciplinas oferecidas por outros Departamentos tinham sido incluídas no currículo sem que seus pré-requisitos o fossem também, criando dificuldades maiores para os alunos quando as cursavam. Alguns exemplos deste caso: as disciplinas FÍSICA FUNDAMENTAL III (Departamento de Física), ORGANIZAÇÃO E MéTODOS e RELAÇÕES HUMANAS (Departamento de Administração) exigiam pré-requisitos não incluídos no currículo. 

Em face de não haver currículo mínimo definido pelo Conselho Federal de Educação para os cursos de bacharelados em Ciência da Computação, a Sociedade Brasileira de Computação (SBC), entidade que congrega pesquisadores e cientistas que atuam na área de Computação, tem chamado a si a tarefa de definir um currículo de referência para os Cursos de Graduação Plena em Ciência da Computação/Informática e Engenharia de Computação. Este trabalho vem sendo feito pela SBC desde 1991, através de sua Comissão de Ensino, que se reúne anualmente por ocasião dos Congressos da SBC, realizados no meses de julho/agosto nas principais universidades do País. A SBC tomou a resolução de propor estes currículos de referência durante o X Congresso da SBC, realizado em Vitória/ES, em julho/91, considerando:

- "o surgimento de vários cursos de graduação em Informática no País com diversificados perfis e denominações;
- a dinâmica do desenvolvimento científico e tecnológico da área;
- as preocupações levantadas quanto à possibilidade de criação de uma reserva de trabalho por parte dos Conselhos Regionais de Classe;
- o risco de a simples denominação dos cursos poder ser interpretada como uma indicação de sua qualidade e abrangência;
- a falta de parâmetros de comparação."


Em face do exposto acima, o Colegiado do Curso de Bacharelado em Ciência da Computação tem procurado adequar o currículo à proposta da SBC, tanto quanto possível, respeitando as peculiaridades, realidade e especificidades da Região.

Do trabalho da Comissão de Atualização Curricular resultou a proposta de currículo aprovada no âmbito do Colegiado do Curso e que foi submetida ao Conselho Superior de Ensino e Pesquisa (CONSEP) no dia 07 de março de 1995, sendo aprovada através da resolução CONSEP Nº 2.236/95 (ver Anexo 1). O reconhecimento do curso se deu pela Portaria do MEC Nº 1.114/95 de 08/09/1.995. 
Em 1999, o MEC publicou as Diretrizes Curriculares de Cursos da Área de Computação e Informática, elaborada pela Comissão de Especialistas de Ensino de Computação e Informática – CEEInf, subordinada ao Departamento de Políticas do Ensino Superior. Na introdução deste documento, consta que as diretrizes “são o resultado de discussões realizadas no âmbito da Sociedade brasileira de Computação, através do Workshop de Educação em Computação (WEI/98), das discussões realizadas no Seminário dos Consultores do SESu/MEC (Belo Horizonte, agosto/1998), das contribuições enviadas ao SESu/MEC em decorrência do Edital Nº 4, das discussões realizadas nas Escolas Regionais de Computação, das discussões entre professores via internet ...” e da contribuição de professores das principais universidades do País. Com base nestas diretrizes e no Currículo de Referência da SBC para Cursos de Graduação em Computação e Informática – versão 98/99 (elaborado pelos grupos de trabalho da Diretoria de Educação da SBC e submetido à Assembléia Geral da SBC em julho de 1999), o Colegiado do Curso de Bacharelado em Ciência da Computação elaborou a presente proposta de revisão curricular. 
2011.
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